Dra. Rosangela Maldonado

Pré-Eclâmpsia - A Hipertensão que mata na gravidez

O que é a pré-eclâmpsia?

Pré-eclâmpsia é uma condição grave que afeta cerca de 5% das gestantes em todo o mundo. Caracterizada por pressão arterial elevada e presença de proteína na urina após a 20ª semana de gestação, a pré-eclâmpsia pode ter consequências graves para a mãe e o bebê se não for tratada adequadamente.

Qual a importância da pré-eclâmpsia?

  • É a segunda maior causa de mortalidade materna 
  • É a maior causa de mortalidade perinatal
  • Esta associada com aproximadamente 30.000 óbitos/ano
  • Está  associada com acentuada tendência a restrição do crescimento fetal
  • Está associada com aumento tendência ao retardo mental

A pré-eclâmpsia pode complicar?

Complicações Maternas:

  • Insuficiência Cardíaca
  • Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.)
  • Descolamento Prematuro da Placenta (DPP)
  • Hemorragias Retinianas
  • Convulsões
  • Insuficiência Renal
  • Edema Agudo de Pulmão

Complicações Fetais:

  • Anóxia (Insuficiência Placentária)
  • RCIU
  • Baixo Peso
  • Prematuridade
  • Óbito Intra Uterino
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Quais os sintomas da pré-eclâmpsia?

Pré-Eclâmpsia - A Hipertensão que mata na gravidez
  1. Dores de cabeça intensas 
  2. Visão turva
  3. Dor abdominal
  4. Inchaço repentino das mãos, pés e face
  5. Náuseas e vômitos

 Caso apresente algum desses sintomas, é importante procurar imediatamente assistência médica para avaliação e tratamento.

Quais são as causas de pré-eclâmpsia?

  • Fatores genéticos
  • Problemas vasculares
  • Obesidade 
  • Hipertensão arterial prévia 
  • Mulheres que têm histórico de pré-eclâmpsia em gestações anteriores
  • Grávidas de gêmeos

Diagnóstico da pré-eclâmpsia

Pré- Eclâmpsia

O diagnóstico de pré-eclâmpsia é baseado no aparecimento de hipertensão arterial e aumento de proteínas na urina. No entanto, nem sempre estas alterações surgem em simultâneo, tornando o diagnóstico muitas vezes incerto.

O diagnóstico ou a suspeita de pré-eclâmpsia implica, na maioria dos casos, na internação da grávida como  forma de garantir o repouso necessário, o controle da pressão arterial, bem como a prevenção das eventuais complicações.

Existe tratamento para a pré-eclâmpsia?

O tratamento da pré-eclâmpsia geralmente envolve monitoramento da pressão arterial, repouso, dieta balanceada e, em casos mais graves, internação hospitalar e administração de medicamentos para controlar a pressão arterial e prevenir complicações.

E o parto? É necessário antecipá-lo?

Pré-Eclâmpsia - A Hipertensão que mata na gravidez

 Em alguns casos, o parto prematuro pode ser necessário para garantir a segurança da mãe e do bebê.

Como prevenir a pré-eclâmpsia?

É importante que as gestantes façam um pré-natal adequado e sigam as orientações médicas para prevenir e detectar precocemente a pré-eclâmpsia. Adotar algumas mudanças no seu dia a dia também podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a pré- eclâmpsia.

  1.  Manter hábitos saudáveis
  2. Praticar atividades físicas
  3. Evitar o consumo de tabaco e álcool
  4. Manter uma alimentação equilibrada

A  pré-eclâmpsia é uma condição séria que pode afetar a saúde da mãe e do bebê durante a gestação. Por isso, é fundamental que as gestantes estejam atentas aos sintomas, façam um pré-natal adequado e sigam as orientações médicas para garantir uma gestação saudável e segura.

Sulfato de Magnésio: Controlando as crises convulsivas

O sulfato de magnésio é um medicamento amplamente utilizado no tratamento da pré-eclâmpsia, pois demonstrou ser eficaz na prevenção de convulsões em mulheres com a condição, bem como na proteção do cérebro e do sistema nervoso central do feto.

Pré- Eclâmpsia

A pré-eclâmpsia pode evoluir para eclâmpsia, uma condição grave que envolve convulsões e pode representar um risco significativo para a vida da mãe e do bebê. O sulfato de magnésio é administrado por via intravenosa durante o trabalho de parto ou imediatamente após o parto para prevenir a ocorrência de convulsões em mulheres com pré-eclâmpsia.

Além disso, o sulfato de magnésio também tem propriedades vasodilatadoras, o que ajuda a reduzir a pressão arterial nas mulheres com pré-eclâmpsia, contribuindo para a estabilização da condição e redução do risco de complicações.

É importante ressaltar que o uso do sulfato de magnésio no tratamento da pré-eclâmpsia deve ser cuidadosamente monitorado por profissionais de saúde, pois o medicamento pode ter efeitos colaterais, como:

  • Queda da pressão arterial
  • Depressão respiratória e 
  • Diminuição da frequência cardíaca. 

Portanto, a dosagem e a administração do medicamento devem ser feitas de forma precisa e sob supervisão médica.

O  sulfato de magnésio desempenha um papel fundamental no tratamento da pré-eclâmpsia, ajudando a prevenir convulsões e  proteger a saúde da mãe e do bebê. Quando administrado de forma adequada e monitorado de perto, o sulfato de magnésio pode contribuir para uma gestação mais segura e reduzir o risco de complicações associadas à pré-eclâmpsia.

E quando o tratamento não é eficaz?

A pré-eclâmpsia é uma condição que pode evoluir para eclâmpsia, uma forma mais grave da doença que pode levar a convulsões, falência de órgãos e até à morte da mãe e do bebê. Por isso, é essencial que a pré-eclâmpsia seja diagnosticada e tratada precocemente.

Pré- Eclâmpsia

Além disso, é importante ressaltar que a pré-eclâmpsia não afeta apenas a gestação, mas também pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares e renais a longo prazo para a mãe. Por isso, é fundamental que as mulheres que tiveram pré-eclâmpsia durante a gestação sejam acompanhadas regularmente por um médico após o parto.

A pré-eclâmpsia é uma condição séria que requer cuidados e monitoramento adequados durante a gestação. As gestantes devem ficar atentas aos sintomas, seguir as orientações médicas e realizar um pré-natal completo para garantir uma gestação saudável e segura para mãe e bebê.

Prematuridade e Pré-Eclâmpsia:

Pré- Eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de parto prematuro em todo o mundo. Quando a condição se desenvolve durante a gestação, há um risco aumentado de complicações que podem levar à necessidade de um parto prematuro, antes das 37 semanas de gestação.

A pré-eclâmpsia afeta a circulação sanguínea da placenta, o que pode resultar em restrição do crescimento fetal, sofrimento fetal e até mesmo morte do bebê. Para evitar essas complicações, o parto prematuro muitas vezes se torna necessário, mesmo que o bebê ainda não esteja totalmente desenvolvido.

Os bebês nascidos prematuramente devido à pré-eclâmpsia podem enfrentar uma série de desafios de saúde:

  • Problemas respiratórios
  • Dificuldades na alimentação 
  • Dificuldade no controle da temperatura corporal
  • Maior risco de desenvolver complicações a longo prazo, como deficiências cognitivas e problemas de desenvolvimento.

É importante ressaltar que o parto prematuro é uma medida de proteção para garantir a segurança da mãe e do bebê diante das complicações da pré-eclâmpsia. No entanto, os bebês prematuros requerem cuidados especiais na UTI neonatal para garantir seu desenvolvimento e recuperação adequados.

Por isso, é fundamental que as gestantes estejam cientes dos riscos da pré-eclâmpsia e realizem um pré-natal adequado para identificar precocemente a condição e iniciar o tratamento necessário. O acompanhamento médico regular e o cumprimento das orientações do obstetra são essenciais para garantir uma gestação saudável e segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

Etiologia da pré-eclâmpsia e eclâmpsia

A etiologia da pré-eclampsia é desconhecida.

Entretanto, foram identificados fatores de alto e moderado risco (1).

Fatores de alto risco incluem

  • Gestação prévia com pré-eclâmpsia
  • Gestação multifetal
  • Doenças renais
  • Doenças autoimunes
  • Diabetes melito tipo 1 ou tipo 2
  • Hipertensão crônica

Fatores de risco moderados são

  • Primeira gestação
  • Idade materna ≥ 35 anos
  • Índice de massa corporal > 30
  • História familiar de pré-eclâmpsia
  • Características sociodemográficas (etnia afro-americana, baixo nível socioeconômico)
  • Fatores de história pessoal (p. ex., recém-nascidos prévios com baixo peso ao nascer ou pequenos para a idade gestacional, desfecho gestacional adverso prévio, intervalo gestacional > 10 anos [2])

Referências

  1. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): Gestational hypertension and preeclampsia: ACOG Practice Bulletin, Number 222. Obstet Gynecol 135 (6):e237–e260, 2020.
  2. Roberge S, Nicolaides K, Demers S et al: The role of aspirin dose on the prevention of preeclampsia and fetal growth restriction: Systematic review and meta-analysis. Am J Obstet Gynecol 216 (2):110–120.e6, 2017. doi: 10.1016/j.ajog.2016.09.076
  3. Meher S, Duley L, Hunter K, Askie L: Antiplatelet therapy before or after 16 weeks’ gestation for preventing preeclampsia: An individual participant data meta-analysis. Am J Obstet Gynecol 216 (2):121–128.e2, 2017. doi: 10.1016/j.ajog.2016.10.016
  4. Henderson JT, Whitlock EP, O’Conner E, et al: Table 8: Preeclampsia Risk Factors Based on Patient Medical History in Low-dose aspirin for the prevention of morbidity and mortality from preeclampsia: A systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Rockville (MD): Agency for Healthcare Research and Quality (US), 2014