
O que é a pré-eclâmpsia?
Pré-eclâmpsia é uma condição grave que afeta cerca de 5% das gestantes em todo o mundo. Caracterizada por pressão arterial elevada e presença de proteína na urina após a 20ª semana de gestação, a pré-eclâmpsia pode ter consequências graves para a mãe e o bebê se não for tratada adequadamente.
Qual a importância da pré-eclâmpsia?
- É a segunda maior causa de mortalidade materna
- É a maior causa de mortalidade perinatal
- Esta associada com aproximadamente 30.000 óbitos/ano
- Está associada com acentuada tendência a restrição do crescimento fetal
- Está associada com aumento tendência ao retardo mental

A pré-eclâmpsia pode complicar?
Complicações Maternas:
- Insuficiência Cardíaca
- Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.)
- Descolamento Prematuro da Placenta (DPP)
- Hemorragias Retinianas
- Convulsões
- Insuficiência Renal
- Edema Agudo de Pulmão
Complicações Fetais:
- Anóxia (Insuficiência Placentária)
- RCIU
- Baixo Peso
- Prematuridade
- Óbito Intra Uterino
Quais os sintomas da pré-eclâmpsia?

- Dores de cabeça intensas
- Visão turva
- Dor abdominal
- Inchaço repentino das mãos, pés e face
- Náuseas e vômitos

Caso apresente algum desses sintomas, é importante procurar imediatamente assistência médica para avaliação e tratamento.
Quais são as causas de pré-eclâmpsia?
- Fatores genéticos
- Problemas vasculares
- Obesidade
- Hipertensão arterial prévia
- Mulheres que têm histórico de pré-eclâmpsia em gestações anteriores
- Grávidas de gêmeos
Diagnóstico da pré-eclâmpsia
O diagnóstico de pré-eclâmpsia é baseado no aparecimento de hipertensão arterial e aumento de proteínas na urina. No entanto, nem sempre estas alterações surgem em simultâneo, tornando o diagnóstico muitas vezes incerto.
O diagnóstico ou a suspeita de pré-eclâmpsia implica, na maioria dos casos, na internação da grávida como forma de garantir o repouso necessário, o controle da pressão arterial, bem como a prevenção das eventuais complicações.

Existe tratamento para a pré-eclâmpsia?
O tratamento da pré-eclâmpsia geralmente envolve monitoramento da pressão arterial, repouso, dieta balanceada e, em casos mais graves, internação hospitalar e administração de medicamentos para controlar a pressão arterial e prevenir complicações.
E o parto? É necessário antecipá-lo?

Em alguns casos, o parto prematuro pode ser necessário para garantir a segurança da mãe e do bebê.
Como prevenir a pré-eclâmpsia?
É importante que as gestantes façam um pré-natal adequado e sigam as orientações médicas para prevenir e detectar precocemente a pré-eclâmpsia. Adotar algumas mudanças no seu dia a dia também podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a pré- eclâmpsia.
- Manter hábitos saudáveis
- Praticar atividades físicas
- Evitar o consumo de tabaco e álcool
- Manter uma alimentação equilibrada
A pré-eclâmpsia é uma condição séria que pode afetar a saúde da mãe e do bebê durante a gestação. Por isso, é fundamental que as gestantes estejam atentas aos sintomas, façam um pré-natal adequado e sigam as orientações médicas para garantir uma gestação saudável e segura.
Sulfato de Magnésio: Controlando as crises convulsivas
O sulfato de magnésio é um medicamento amplamente utilizado no tratamento da pré-eclâmpsia, pois demonstrou ser eficaz na prevenção de convulsões em mulheres com a condição, bem como na proteção do cérebro e do sistema nervoso central do feto.
A pré-eclâmpsia pode evoluir para eclâmpsia, uma condição grave que envolve convulsões e pode representar um risco significativo para a vida da mãe e do bebê. O sulfato de magnésio é administrado por via intravenosa durante o trabalho de parto ou imediatamente após o parto para prevenir a ocorrência de convulsões em mulheres com pré-eclâmpsia.

Além disso, o sulfato de magnésio também tem propriedades vasodilatadoras, o que ajuda a reduzir a pressão arterial nas mulheres com pré-eclâmpsia, contribuindo para a estabilização da condição e redução do risco de complicações.
É importante ressaltar que o uso do sulfato de magnésio no tratamento da pré-eclâmpsia deve ser cuidadosamente monitorado por profissionais de saúde, pois o medicamento pode ter efeitos colaterais, como:
- Queda da pressão arterial
- Depressão respiratória e
- Diminuição da frequência cardíaca.
Portanto, a dosagem e a administração do medicamento devem ser feitas de forma precisa e sob supervisão médica.
O sulfato de magnésio desempenha um papel fundamental no tratamento da pré-eclâmpsia, ajudando a prevenir convulsões e proteger a saúde da mãe e do bebê. Quando administrado de forma adequada e monitorado de perto, o sulfato de magnésio pode contribuir para uma gestação mais segura e reduzir o risco de complicações associadas à pré-eclâmpsia.
E quando o tratamento não é eficaz?
A pré-eclâmpsia é uma condição que pode evoluir para eclâmpsia, uma forma mais grave da doença que pode levar a convulsões, falência de órgãos e até à morte da mãe e do bebê. Por isso, é essencial que a pré-eclâmpsia seja diagnosticada e tratada precocemente.
Além disso, é importante ressaltar que a pré-eclâmpsia não afeta apenas a gestação, mas também pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares e renais a longo prazo para a mãe. Por isso, é fundamental que as mulheres que tiveram pré-eclâmpsia durante a gestação sejam acompanhadas regularmente por um médico após o parto.
A pré-eclâmpsia é uma condição séria que requer cuidados e monitoramento adequados durante a gestação. As gestantes devem ficar atentas aos sintomas, seguir as orientações médicas e realizar um pré-natal completo para garantir uma gestação saudável e segura para mãe e bebê.

Prematuridade e Pré-Eclâmpsia:
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de parto prematuro em todo o mundo. Quando a condição se desenvolve durante a gestação, há um risco aumentado de complicações que podem levar à necessidade de um parto prematuro, antes das 37 semanas de gestação.
A pré-eclâmpsia afeta a circulação sanguínea da placenta, o que pode resultar em restrição do crescimento fetal, sofrimento fetal e até mesmo morte do bebê. Para evitar essas complicações, o parto prematuro muitas vezes se torna necessário, mesmo que o bebê ainda não esteja totalmente desenvolvido.
Os bebês nascidos prematuramente devido à pré-eclâmpsia podem enfrentar uma série de desafios de saúde:
- Problemas respiratórios
- Dificuldades na alimentação
- Dificuldade no controle da temperatura corporal
- Maior risco de desenvolver complicações a longo prazo, como deficiências cognitivas e problemas de desenvolvimento.
É importante ressaltar que o parto prematuro é uma medida de proteção para garantir a segurança da mãe e do bebê diante das complicações da pré-eclâmpsia. No entanto, os bebês prematuros requerem cuidados especiais na UTI neonatal para garantir seu desenvolvimento e recuperação adequados.
Por isso, é fundamental que as gestantes estejam cientes dos riscos da pré-eclâmpsia e realizem um pré-natal adequado para identificar precocemente a condição e iniciar o tratamento necessário. O acompanhamento médico regular e o cumprimento das orientações do obstetra são essenciais para garantir uma gestação saudável e segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

Etiologia da pré-eclâmpsia e eclâmpsia
A etiologia da pré-eclampsia é desconhecida.
Entretanto, foram identificados fatores de alto e moderado risco (1).
Fatores de alto risco incluem
- Gestação prévia com pré-eclâmpsia
- Gestação multifetal
- Doenças renais
- Doenças autoimunes
- Diabetes melito tipo 1 ou tipo 2
- Hipertensão crônica
Fatores de risco moderados são
- Primeira gestação
- Idade materna ≥ 35 anos
- Índice de massa corporal > 30
- História familiar de pré-eclâmpsia
- Características sociodemográficas (etnia afro-americana, baixo nível socioeconômico)
- Fatores de história pessoal (p. ex., recém-nascidos prévios com baixo peso ao nascer ou pequenos para a idade gestacional, desfecho gestacional adverso prévio, intervalo gestacional > 10 anos [2])
Referências
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): Gestational hypertension and preeclampsia: ACOG Practice Bulletin, Number 222. Obstet Gynecol 135 (6):e237–e260, 2020.
- Roberge S, Nicolaides K, Demers S et al: The role of aspirin dose on the prevention of preeclampsia and fetal growth restriction: Systematic review and meta-analysis. Am J Obstet Gynecol 216 (2):110–120.e6, 2017. doi: 10.1016/j.ajog.2016.09.076
- Meher S, Duley L, Hunter K, Askie L: Antiplatelet therapy before or after 16 weeks’ gestation for preventing preeclampsia: An individual participant data meta-analysis. Am J Obstet Gynecol 216 (2):121–128.e2, 2017. doi: 10.1016/j.ajog.2016.10.016
- Henderson JT, Whitlock EP, O’Conner E, et al: Table 8: Preeclampsia Risk Factors Based on Patient Medical History in Low-dose aspirin for the prevention of morbidity and mortality from preeclampsia: A systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Rockville (MD): Agency for Healthcare Research and Quality (US), 2014