Dra. Rosangela Maldonado

O diabetes mellitus é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e tem um impacto significativo no contexto social.

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez

1. Prevalência crescente: O diabetes mellitus é uma das doenças crônicas mais comuns e com uma prevalência crescente em todo o mundo. Esta condição afeta não apenas a saúde individual, mas também tem um impacto a nível populacional, exigindo a implementação de políticas públicas e estratégias de saúde para lidar com o problema.

2. Impacto na qualidade de vida: O diabetes mellitus pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos afetados, devido às complicações crônicas associadas à doença, como problemas cardiovasculares, neuropatia, retinopatia, entre outros. Isso pode resultar em limitações nas atividades diárias, restrições alimentares, necessidade de medicação contínua e monitoramento constante da glicose sanguínea.

3. Custo econômico: O diabetes mellitus também representa um custo econômico significativo para os sistemas de saúde e para a sociedade como um todo. Os gastos com tratamento, monitoramento, hospitalizações, medicamentos e outras despesas relacionadas ao diabetes são elevados e representam uma carga financeira para os sistemas de saúde e para os próprios indivíduos afetados.

4. Impacto social: O diabetes mellitus pode ter um impacto social considerável, afetando não apenas a saúde física, mas também a saúde mental e emocional dos indivíduos. A doença pode levar a sentimentos de estigma, isolamento social, ansiedade e depressão, afetando a qualidade de vida e o bem-estar psicossocial dos pacientes.

5. Educação e conscientização: A conscientização sobre o diabetes mellitus é fundamental para promover a prevenção, o diagnóstico precoce e o manejo adequado da doença. A educação em saúde, a promoção de hábitos saudáveis, o acesso a serviços de saúde de qualidade e o apoio social são essenciais para enfrentar o desafio do diabetes mellitus no contexto social.

Classificação do diabetes mellitus

  • Diabetes tipo 1 (DM1): prévio à gestação, ocorre por destruição das células beta pancreáticas. 
Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • Diabetes tipo 2 (DM2): prévio à gestação, caracterizado por deficiência na secreção e na ação da insulina. Forma mais comum.
Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • Diabete gestacional (DMG): É qualquer grau de intolerância à glicose, reconhecida ou diagnosticada pela primeira vez na gravidez.

A diabetes gestacional é um tipo de diabetes que se desenvolve durante a gravidez e geralmente desaparece após o parto. Ela é caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, o que pode trazer complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. A diabetes gestacional é o tipo mais comum de diabetes que ocorre durante a gravidez. Ela é diagnosticada quando os níveis de glicose no sangue da gestante estão elevados. Geralmente, a diabetes gestacional é diagnosticada entre as semanas 24 e 28 de gestação, por meio de exames de glicemia realizados durante o pré-natal.

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • OvertDiabetes: é a hiperglicemia materna diagnosticada no início da gestação (diabetes pregresso desconhecido). 

Você sabia?

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • Antes da descoberta da insulina por Banting e Best, em 1921, poucas mulheres diabéticas engravidavam espontaneamente
  • 50% das mulheres morriam durante a gravidez, devido a complicações relacionadas com a diabetes (Cetoacidose)
  • 50% dos fetos não completavam o seu desenvolvimento no útero

Importância do diabetes mellitus na gravidez

  • Incide em 5 a 7% das gestações
  • Afeta 150.000 a 250.000 mulheres, das 5.000.000 mulheres que dão à luz anualmente
  • DM Pré-Gestacional representa 10% de todas as grávidas diabéticas
  • Epidemia mundial do século XXI 
  • Problema de saúde pública
  • 1 bilhão de adultos acima do peso 
  • 300 milhões de pessoas clinicamente OBESOS
  • No  BRASIL são 17 milhões de pessoas 

Riscos para a mãe

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • Perigo de hiper e hipoglicemias
  • Doença Hipertensiva Específica da Gravidez
  • Infecções Urinárias de Repetição
  • Pielonefrites, polihidramnios 
  • Alterações vasculares (Retino e Nefropatias)
  • Aborto espontâneo
  • Parto traumático
  • Parto prematuro
  • Maior número de cesarianas
  • Maior morbidade e mortalidade
  • Maior incidência de diabetes no futuro

Implicações durante o parto

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • Hipoglicemia, hipocalcemia e hipomagnesemia no feto
  • Aumento de glicose na mãe
  • Estado de hipóxia crônica in útero 
  • Diminuição da oxigenação arterial
  • Aumento da concentração eritropoietina no plasma
  • Hiperinsulinemia no feto

Riscos para o bebê

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  • Atrasos no crescimento intra-uterino e anomalias congênitas 
  • Perturbações do desenvolvimento comportamental, intelectual e psicológico
  • Proliferação de adipócitos fetais, células musculares, células pancreáticas β e células neuroendócrinas 
  • Morte intra-uterina
  • Macrossomia
  • Atrasos na maturação pulmonar
  • Desenvolvimento de obesidade, alterações na tolerância à glicose e diabetes mellitus, quando adulto
  • Morbilidade pós-natal

Para garantir uma gestação saudável e minimizar os riscos associados à diabetes, é fundamental que as mulheres com diabetes recebam acompanhamento médico especializado durante a gravidez. 

Fatores de Risco para diabetes na gravidez

  1. Idade superior a 25 anos
  2. Obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual
  3. Deposição central de gordura
  4. História familiar de diabetes em parentes de 1o grau
  5. Crescimento fetal excessivo, aumento do líquido amniótico, hipertensão ou pré eclâmpsia
  6. Antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal, macrossomia ou diabetes gestacional
  7. Uso de drogas hiperglicemiantes (corticóides, diuréticos tiazídicos)
  8. Hipertensão Arterial Crônica
  9. Intolerância a glicose anterior a gestação

Diabetes Gestacional  X Saúde Pública

A diabetes na gravidez, especialmente a diabetes gestacional, é considerada um problema de saúde pública devido aos impactos que pode ter na saúde da mãe e do bebê, bem como aos custos associados ao seu diagnóstico, tratamento e prevenção de complicações. Abaixo estão alguns pontos que destacam a importância da diabetes na gravidez como um problema de saúde pública:

1. Prevalência crescente: A diabetes gestacional tem se tornado mais comum, em parte devido ao aumento da obesidade e da idade materna avançada, fatores de risco para o desenvolvimento da condição. Com o aumento da incidência de diabetes gestacional, cresce a necessidade de políticas públicas e programas de saúde voltados para a prevenção, diagnóstico e tratamento adequado.

2. Riscos para a mãe e o bebê: A diabetes na gravidez está associada a diversos riscos e complicações, como pré-eclâmpsia, parto prematuro, macrosomia fetal, hipoglicemia neonatal, entre outros. Essas complicações podem ter impactos negativos na saúde da mãe e do bebê, exigindo um acompanhamento médico mais rigoroso e intervenções precoces para prevenir danos à saúde.

3. Custo para o sistema de saúde: O diagnóstico e tratamento da diabetes gestacional demandam recursos financeiros significativos, uma vez que envolvem exames laboratoriais, consultas médicas especializadas, orientação nutricional, monitoramento da glicose, entre outros. Além disso, as complicações decorrentes da diabetes na gravidez podem gerar custos adicionais ao sistema de saúde, tornando a condição um desafio em termos de custo-efetividade.

Orientações obstétricas pré gestacionais

  1. Planejamento da gestação: Para mulheres com diabetes, é recomendado um planejamento da gestação, ou seja, uma avaliação médica antes de engravidar para garantir que a diabetes esteja controlada e para ajustar o tratamento, se necessário, visando uma gravidez saudável e segura. Considerando as evidências de que mulheres que engravidam com diabetes descompensado tem maior risco de complicações, planejar a gravidez é fundamental pois o controle glicêmico faz toda a diferença.
  1. Uso do ácido fólico:  Além dos cuidados clínicos, o obstetra deve alertar as pacientes com diabetes sobre o fato de que, para a prevenção de malformações do concepto relacionadas a defeitos de fechamento do tubo neural, elas devem fazer uso do ácido fólico iniciando de 2 a 3 meses antes da gravidez e metendo a medicação até o final do primeiro trimestre da gravidez.
  1. Orientação  Nutricional: Uma dieta individualizada  é muito benéfica para manter os níveis de glicose dentro do desejado e favorecer uma gravidez sem complicações.
Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez
  1. Atividade Física: A prática regular de exercícios físicos além de causar a sensação de bem estar, auxilia no controle do peso, melhora o controle glicêmico e diminui a chance de complicações.

Diagnóstico Diabetes Gestacional

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez

O diagnóstico do diabetes gestacional é realizado laboratorialmente através da dosagem da glicose no sangue. 

No primeiro trimestre da gravidez quando se realizam os primeiros exames do pré natal, a glicemia deve estar abaixo de 92 mg/dl. Quando os níveis de glicose no início da gravidez estão iguais ou maiores que 92 mg/dl consideramos esta gestante portadora de diabetes gestacional.

Nos casos em que a glicemia encontra-se abaixo de 92 mg/dl precisamos repetir os exames quando chegar a 28a semana para só então, se os níveis de glicose permanecerem dentro da normalidade, excluir de vez o diabetes gestacional.

Tratamento do Diabetes Mellitus na Gravidez

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez

O tratamento da diabetes gestacional geralmente envolve um plano alimentar específico, controle dos níveis de glicose no sangue, atividade física adequada e, em alguns casos, uso de insulina.

É importante ressaltar que, com o acompanhamento adequado e o controle dos níveis de glicose, é possível ter uma gestação saudável e um parto seguro, mesmo para mulheres com diabetes. Por isso, é essencial seguir as orientações médicas, realizar os exames de rotina e manter um estilo de vida saudável durante a gestação.

 Avaliação Obstétrico: O acompanhamento médico é essencial para o controle da diabetes na gravidez. A gestante deve realizar exames de glicemia regularmente, seguir uma dieta balanceada, praticar atividade física adequada e, em alguns casos, fazer uso de insulina para manter os níveis de glicose no sangue sob controle.

 A importância do controle glicêmico: Durante a gestação, é fundamental manter os níveis de glicose no sangue controlados, pois níveis elevados de glicose podem ter impacto negativo no desenvolvimento do feto. O controle glicêmico adequado reduz o risco de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

Acompanhamento multidisciplinar: Mulheres com diabetes gestacional, tipo 1 ou tipo 2 devem contar com um acompanhamento multidisciplinar, envolvendo obstetras, endocrinologistas, nutricionistas e outros profissionais de saúde. Esse acompanhamento visa garantir um cuidado integrado e personalizado para atender às necessidades específicas de cada gestante.

Monitoramento contínuo: Durante a gestação, é necessário um monitoramento contínuo dos níveis de glicose no sangue, por meio de exames de glicemia capilar e/ou laboratoriais. Esse controle é essencial para ajustar o tratamento conforme necessário e prevenir complicações decorrentes da diabetes.

Exercício: As pessoas com diabetes gestacional são encorajadas a fazer um mínimo de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana, semelhante aos treinos padrão para controle de diabetes não gestacional e saúde geral. Mesmo uma simples caminhada de 15 minutos após as refeições ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

Diabetes Mellitus (DM) e Gravidez

Medicação: Se o exercício e as modificações nutricionais não conseguirem controlar seus níveis de açúcar no sangue, um médico pode recomendar medicamentos (embora não haja um limite exato para quando a medicação deve ser prescrita). Os seguintes medicamentos podem ser receitados como tratamento para diabetes gestacional:

  • Insulina: a insulina é a recomendação atual para o manejo farmacológico do diabetes gestacional porque não atravessa a placenta (tornando-a segura durante a gravidez).
  • Metformina: pode ser receitada ​​como alternativa quando a insulina é muito cara ou as injeções de insulina provam ser um desafio.

 Acompanhamento pós-parto